Fui para o Expresso porque queria ser fotógrafa, mas acabei por aprender a escrever. Tinha 17 anos. O PÚBLICO nasceu dois anos depois e os fundadores “trouxeram-me”. Trabalhei no Internacional, cobri eleições, fui à Somália no início da guerra civil e escrevi muito sobre sida. Um dia perguntaram-me se queria ser correspondente em Nova Iorque. Fiquei cinco anos. Foi a era Clinton, mas também a das negociações na ONU entre Portugal e a Indonésia sobre Timor. Passei tantas horas nos corredores do Conselho de Segurança que acabei por aterrar em Díli com passaporte das Nações Unidas. Era o que fazia sentido: trabalhar com Sérgio Vieira de Mello e ver o país nascer. Fui por seis meses para dar formação a jornalistas, mas fiquei dois anos como porta-voz da missão. Regressei ao PÚBLICO em 2002. Editei a Cultura, ajudei a lançar o P2, fui executiva da direcção. Fui directora de 2009 a 2016.
Série especial “Portugal é o meu país”.Para não ouvir “preto da Guiné”, aos seis anos tornou-se discreto. Aos 30, fundou uma agência de relações públicas que hoje tem clientes de Singapura a Loulé.
Série especial "Portugal é o meu país". Duas frases mudaram a vida de Faisal Aboobakar. Aprendeu a olhar de frente, e não para baixo, e a não sentir-se inferior por ter pele escura e ser estrangeiro.