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A maioria da escrita funcional deve ser medíocre e indistinta. Nenhum imperativo ético exige a seres humanos que dediquem talento a redigir pessoalmente cartas de recomendação ou programas eleitorais.
Foi só passados estes anos todos, ao ouvir American Tabloid na sua voz, em vez de o ler com as minhas, que finalmente percebi o que o livro estava a fazer.
Chamar “Terra Verde” aos calhaus foi uma manobra de marketing de nível Remax: se baptizarmos o empreendimento com um nome que sugere abundância, vão aparecer certamente clientes à procura dele.
A candidatura de Humberto Correia é pessoal, intransmissível e incomunicável. Se quer ou não quer ser Presidente é uma questão do foro privado e nós não temos nada a ver com isso.
Até os grandes escritores que admiraram Stevenson genuinamente, de Borges a Calvino, acabam por falar dele como a mitologia do futebol se habituou a falar de Garrincha.
O ano em que o slop inundou a Internet foi em 2024. Hoje, aliás, já é possível sentir uma vaga nostalgia por esses primórdios da lavadura digital, quando ainda era esquisita e vanguardista.
Um dos desenvolvimentos mais desmoralizantes do meu tempo de vida foi o declínio na qualidade das teorias da conspiração. Nenhuma outra forma literária desde o soneto caiu com tamanha violência.
O Natal dos adultos é uma operação logística sob coacção metafísica e com um objectivo moral pragmático: o esforço contínuo de impedir que alguma coisa importante se estrague até à manhã seguinte.
Na aflitiva possibilidade de não se poder noticiar o dia de greve ao longo do dia de greve por causa do dia de greve, era preciso noticiar o dia de greve no dia anterior ao dia de greve.
A House of Dynamite, o novo filme de Kathryn Bigelow, aterrou no menu da Netflix como um postal inesperado de um mundo semiesquecido.
Quase 30 debates televisivos num ciclo eleitoral é um festival de redundância cívica tão raro e valioso que deve ser protegido a qualquer custo. Abdicar disto seria uma tragédia nacional.
O ilusionismo definha sob escrutínio mediado, não por ser fraudulento, mas porque as condições que permitem o deslumbramento correcto são incompatíveis com as condições que permitem reprodução.
Frankenstein é, até à medula, um texto anticriacionista. Assim que a criatura abre os olhos, o seu criador desata a fugir. O horror que sente nem sequer é moral, mas estético.
Falam de “legado” como se fosse um museu que se constrói atrás de nós, uma colecção de troféus empoeirados, mas o legado não está à retaguarda, é o caminho a desenrolar-se à nossa frente.
A diferença entre papel e ficheiros .mp3 é meramente estética; ler é uma alucinação com legendas, ouvir é uma alucinação com dobragem.
Desculpa, distraí-me, tenho o Sporting-Marselha aberto noutro separador, mas o que estás a dizer faz imenso sentido, e parece mesmo intenso!
Nunca foi tão urgente fazer uma lista objectiva e imparcial dos cinco melhores filmes de kaijus. É essa lista que, com a coragem que me caracteriza, apresento agora aos portugueses.
O sujeito L. Krasznahorkai (n. 1954, Gyula, Hungria) produziu extensas sequências de prosa caracterizadas por diferenciação mínima de parágrafos e estruturas frásicas de comprimento invulgar.
Este Portugal já não é o nosso. Nota-se no cheiro das sardinhas, que há muito perderam a alegria.
O que incomodava nos escritórios de Bernie Madoff não era o luxo, mas o facto de os relógios marcarem sempre a hora exacta. Era o mais forte indício de suspeita, mas talvez o mais fácil de ignorar.
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