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Professora da Universidade Católica Portuguesa
O que é que junta Fernando Alves, Francisco Louçã e, neste episódio Rita Figueiras no podcast “Um pouco mais de azul”?
Designar como “reféns do sistema judicial” os invasores do Capitólio e ligar os imigrantes ilegais a Hannibal Lecter não é apenas mais um excesso, mas uma estratégia de comunicação política perversa.
O que é que junta Fernando Alves, Francisco Louçã e, neste episódio, Rita Figueiras no podcast Um Pouco Mais de Azul?
Os media acabaram por ser co-construtores involuntários da “ação de comunicação” do Chega, um evento que teria sido um fiasco sem a mediatização de que beneficiou durante e após o incidente.
A constelação comunicacional pró-Trump tem uma oferta de meios e formatos que permite confundir quantidade com diversidade e reforça, em muitos americanos, a crença de que estão bem informados.
As candidaturas investiram em novas estratégias para chegarem a bolsas muitíssimo específicas de eleitores, naquela que já é conhecida como a “eleição do podcast”.
Embora algumas análises considerem suicida o movimento de Ventura, ele pode ser visto como uma jogada de sobrevivência para o caso de haver legislativas antecipadas.
As redes sociais são fundamentais para consolidar a base de apoio, mas a televisão é imprescindível para furar a bolha e crescer.
Cientes de que muitos americanos desconfiam dos políticos e não têm interesse no modo como o jornalismo aborda a política, Democratas credenciaram pela primeira vez influenciadores para a convenção.
Nas próximas semanas vamos continuar a assistir a uma escalada incessante da guerra de significados sobre o que aconteceu, movida por ódio, ressentimento e intransigência.
Paradoxalmente, o reforço do mainstream, mais cedo ou mais tarde, pode encaminhar algum dos canais para configurações afastadas desse centro.
Estes influencers lutam pela (re)definição do que é a democracia e a liberdade de expressão, entre outros valores estruturantes. O que inclui a reconfiguração do projeto europeu.
Se a opinião como modelo de negócio desloca a mediação do jornalismo para o comentário, tal movimento pôs os comentadores no centro da mediatização política.
Parte da surpresa que o país mainstream está hoje a viver decorre da prevalência de uma lente interpretativa que toma o que se passa nos media como o retrato de uma realidade partilhada por todos.
Foi só mais uma peça da avaliação dos candidatos, um longo trabalho de bricolage dos eleitores, que fragmentos de debates, comentários, rábulas, memes, entrevistas de vida...
Os debates também servem um propósito menos evidente, mas sobremaneira importante: chegar às pessoas cujo consumo de informação é sobretudo feito através das redes sociais.
Parte da juventude portuguesa está “no ponto” e apenas à espera de quem a saiba armadilhar.
Ensinar o que é um facto, diferenciá-lo da opinião e promover a aferição da credibilidade das fontes é imprescindível. Mas reconstruir a confiança no jornalismo é igualmente essencial.
Onde Joana Marques e os seus fãs vêem (compreensivelmente) comicidade, os seguidores destes influencers que falam da actualidade política vêem marcas de genuinidade e verdade.
Apesar de esforços legislativos estarem em curso, ainda não existem regras definidas para o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais.
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