Os leitores são a força e a vida dos jornais. Contamos com o seu apoio, assine.
Os leitores são a força e a vida do PÚBLICO. Obrigado pelo seu apoio.
Professora da Universidade Católica Portuguesa
Ventura encara a segunda volta como uma nova eleição, Seguro parece focado na mensagem que resultou a 18 de janeiro. Mas esse discurso fleumático não vai bastar até 8 de fevereiro.
Enquanto se emancipa da tutela de Marine (há quem ponha a hipótese de a criatura estar prestes a devorar a criadora), Bardella vai alojando a extrema-direita no centro político francês.
Cada vez mais, vemos figuras a transportar a lógica do rage bait para outros espaços e formatos. As rábulas do Chega no Parlamento e os desempenhos de Ventura nos debates são um bom exemplo.
Ventura gera audiências, torna-se viral nas redes sociais e – aparentemente – é bom para o negócio. Por isso, mesmo fora dos ciclos eleitorais, é o mais procurado pelos canais de informação.
A moderação não interessa a nenhum dos lados nem serve a economia da atenção, que encontra na polarização extremada uma verdadeira mina para o modelo de negócio das plataformas digitais.
Donald Trump é o político mais habilidoso do nosso tempo a explorar as lógicas (ou fraquezas) do ecossistema comunicacional.
Na era da desconfiança e do antielitismo, muitos eleitores já não procuram líderes inspiradores (diferentes deles), mas sim políticos que sejam “pessoas normais” (como eles).
O que é que junta Fernando Alves, Francisco Louçã e, neste episódio Rita Figueiras no podcast “Um pouco mais de azul”?
Designar como “reféns do sistema judicial” os invasores do Capitólio e ligar os imigrantes ilegais a Hannibal Lecter não é apenas mais um excesso, mas uma estratégia de comunicação política perversa.
O que é que junta Fernando Alves, Francisco Louçã e, neste episódio, Rita Figueiras no podcast Um Pouco Mais de Azul?
Os media acabaram por ser co-construtores involuntários da “ação de comunicação” do Chega, um evento que teria sido um fiasco sem a mediatização de que beneficiou durante e após o incidente.
A constelação comunicacional pró-Trump tem uma oferta de meios e formatos que permite confundir quantidade com diversidade e reforça, em muitos americanos, a crença de que estão bem informados.
As candidaturas investiram em novas estratégias para chegarem a bolsas muitíssimo específicas de eleitores, naquela que já é conhecida como a “eleição do podcast”.
Embora algumas análises considerem suicida o movimento de Ventura, ele pode ser visto como uma jogada de sobrevivência para o caso de haver legislativas antecipadas.
As redes sociais são fundamentais para consolidar a base de apoio, mas a televisão é imprescindível para furar a bolha e crescer.
Cientes de que muitos americanos desconfiam dos políticos e não têm interesse no modo como o jornalismo aborda a política, Democratas credenciaram pela primeira vez influenciadores para a convenção.
Nas próximas semanas vamos continuar a assistir a uma escalada incessante da guerra de significados sobre o que aconteceu, movida por ódio, ressentimento e intransigência.
Paradoxalmente, o reforço do mainstream, mais cedo ou mais tarde, pode encaminhar algum dos canais para configurações afastadas desse centro.
Estes influencers lutam pela (re)definição do que é a democracia e a liberdade de expressão, entre outros valores estruturantes. O que inclui a reconfiguração do projeto europeu.
Se a opinião como modelo de negócio desloca a mediação do jornalismo para o comentário, tal movimento pôs os comentadores no centro da mediatização política.
Ocorreu um erro aqui, ui ui