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É importante perceber que na segunda volta se decidirá mais do que a eleição do próximo Presidente da República.
Contas feitas, tratou-se de um debate morno, relativamente civilizado e francamente enfadonho.
As acusações que impendem sobre as suas malfeitorias, por não terem uma definição estável, escapam ao contraditório. É impossível desmontar argumentos que não chegam a sê-lo.
Não nos espera um combate entre o campo socialista e o campo não socialista (em que me situo), mas antes uma contenda entre moderação e radicalismo, entre a ponderação e o oportunismo.
É afinal do mundo dos partidos que emergirá um Presidente que nada deve a ninguém.
A única resposta possível à derrocada da ordem global dos últimos 70 anos está, mais uma vez, bem à frente do nosso nariz. E essa resposta tem um nome, que não me canso de repetir.
Não são presentes, não são necessariamente edições recentes, mas são os livros que, por razões misteriosas e que são só deles, escolheram ser lidos durante o ano que agora acaba.
Deve o regresso da Fórmula 1 a Portugal ser financiado por dinheiros públicos? Tenho muita dificuldade em articular com seriedade uma resposta afirmativa.
Mais do que o fascista dogmático que a esquerda imagina, Ventura é um oportunista pós-ideológico com uma raríssima intuição e faz da instrumentalização do ressentimento o seu único programa político.
Nunca tão poucos tiveram tanta capacidade de informar, desinformar e influenciar os eleitores.
Nestas presidenciais, evitar ter de escolher entre duas alternativas inaceitáveis pode bem vir a ser, para muito boa gente, o menos mau de todos os cenários.
A combinação de uma comunicação social fragilizada com uma justiça bloqueada e com partidos cada vez mais fechados e opacos não autoriza grandes otimismos.
A discussão acalorada, entrincheirada, politicamente manipulada sobre imigração que temos tido no espaço público tem demasiados ângulos mortos.
Não ganhamos nada se a luta política continuar a divergir para o território das perceções (como tantas vezes acontece à direita) ou para o das abstrações delirantes (como vinha sucedendo à esquerda).
O que me choca é a forma. E a forma conta muito. O que me choca é a opção, deliberada, do Governo em fazer esta discussão sobre a nacionalidade no campo e nos termos em que o Chega a faria.
O sinal de alheamento, se não é tão agudo e delirante como no Bloco, não deixa de inquietar. Ao contrário do que diz José Luís Carneiro, o PS não parece estar, ainda, de volta.
A comunicação social sempre foi para si, nada mais, mas também nada menos, do que um instrumento para colocar ao serviço da liberdade.
Não retiro, como calculam, nenhum prazer desta análise. Tudo isto me preocupa de sobremaneira. Mas a realidade é o que é.
É imprescindível que se perceba que o espectro da Spinumviva, que ameaça regressar uma e outra vez, não tem apenas custos para Luís Montenegro. Tem custos para todos nós.
O Chega consegue aquilo que alguns partidos com muito mais longevidade e, nalguns casos, com momentos de expressiva representatividade nunca conseguiram.
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