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Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
A soberania que os soberanistas deificam ficou enquistada no século XVI, quando Jean Bodin a teorizou. Muito tempo passou para continuar a tratar a soberania nestes termos atávicos.
Para além de identificar as causas da divergência entre Von der Leyen e Costa, interessa perceber se uma destas posições é preferível à outra.
A ideia de UE a duas velocidades não passa de uma ameaça e representa a confirmação (caso dúvidas houvesse) de que há países de primeira e de segunda.
Há uma diferença não menosprezável entre a História dos federalismos e a pulsão federal da UE que se reaviva com o espectro da tomada unilateral da Gronelândia ao sabor da vontade do momento de Trump.
Não será exagero concluir que o Conselho Europeu de 18 de dezembro de 2025 libertou algumas das algemas que aprisionam a vontade política da UE.
O discurso de ódio deve ocupar o seu lugar no palco da democracia. Prefiro agarrar-me ao otimismo antropológico e acreditar que a lucidez emergirá para condenar o discurso de ódio à tumefação que é.
A aura sebastiânica que uma certa direita associa a Passos esbate-se quando ele preconiza uma solução equivalente àquela que tanto criticou quando, há dez anos, a “geringonça” lhe tirou o tapete.
Ler autores que estão longe das nossas ideias é que nos enriquece. As ideias que temos exigem o conhecimento daquelas que se lhes opõem. De outro modo, o conhecimento será sempre parcial e amputado.
Quais são os critérios pelos quais se afere a portugalidade?
O efeito da fascização de tudo é contraproducente: quanto mais se agita o fascismo e os perigos que ele encerra, maior parece ser a atração pelos partidos de extrema-direita.
Não consigo compreender a euforia de muitos dos especialistas de Relações Internacionais que vieram comentar a paz imposta pela força dos Estados Unidos.
Depois ficam abespinhados porque os radicais que tanto combatem têm cada vez recetividade eleitoral. Não alcançam os anticorpos da sua arrogância venal.
Os direitos aduaneiros trazem consigo a desconfiança e a semente da instabilidade, até por partirem de quem não se pode demitir das suas responsabilidades internacionais.
A Europa, solteirona e frígida, está louca de ciúmes e raiva. O tempo da Europa acabou. É fraca, feia e inútil. Dmitri Medveded
Gouveia e Melo encarna um sebastianismo em potência que é do agrado de uma sociedade que não vê para além do nevoeiro.
Eis o lema: imigrantes, sede bem-vindos porque precisamos de vós. E a mensagem subliminar: caso contrário, não vos queremos por cá. Esta é a forma errada de tratar a imigração.
Confesso: nunca enverguei um cravo vermelho à lapela, mas custa-me admitir que alguém me julgue por demissão da democracia à conta desta omissão pessoal.
É de esperar que a UE consiga colocar dívida pública a uma taxa média que os Estados-membros não conseguiriam, separadamente. Pode aceder a recursos mobilizados pelo crédito em condições imbatíveis.
A recusa terminante das direitas em aceitar o imposto sobre os muito ricos é contraproducente. Pode, em situações-limite, ser o rastilho para uma violência descontrolada de que ninguém sai a ganhar.
A polarização tende a alimentar mais polarização, pois a luta política passa a ser um feixe de emoções que ateiam o acinte, a inverdade, o ataque pessoal, a intolerância.
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