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Cronista e escritora
Já não basta comunicar. Agora, cada frase dita está sujeita a um tribunal imaginário que a julga, desconstrói e analisa até se transformar em algo completamente diferente.
Dizer “não” nunca foi uma escolha fácil. É contrariar alguém que gostaríamos de agradar. É perder algo para ganhar outra coisa — e, muitas vezes, sem saber se a troca valeu a pena.
A propósito de uma notícia sobre como a Europa responsabiliza empresas pelo acesso indevido de crianças a conteúdos digitais, a escritora Madalena Sá Fernandes escreveu um poema.
O nerd não quer apenas absorver conhecimento — ele quer debatê-lo, confrontá-lo. Os nerds são uma espécie de magos, os que decifram linguagens tão estranhas quanto Elvish: Python, C++ ou Klingon.
Pelo espelho, vejo-o estacionar com uma facilidade humilhante, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Acelero como quem foge de uma cena de crime.
Tentar fixar quem é o chato é uma tarefa ingrata. Ele assume todas as formas. É o entediante e o exagerado, o vulgar e o espalhafatoso, o que não se nota e o que se nota de mais.
Não escrevo para defender que as crianças sejam levadas para os convívios desregrados dos pais, como satélites sonolentos. Mas também não vejo que o oposto seja exactamente um avanço.
Tenho também consciência de que se trata de uma dúvida de primeiríssimo mundo, um questionamento burguês quase ofensivo face aos inúmeros e reais problemas que existem.
É claro que estar ao pé é estar próximo. No singular, é proximidade; no plural, é submissão. Estar aos pés de alguém. A diferença entre a proximidade afectuosa e a adoração subserviente é de um pé.
Será que as nossas mãos vão aprender a desenhar mapas na pele do outro?
Ele estivera lá, nos melhores e nos piores momentos da literatura, da história, e sempre soubera que, mesmo que ninguém o quisesse, era ele quem garantia que o passado continuava a ter sentido.
O intervalo estava associado directamente a um espaço: o recreio. Não havia distinção entre intervalo e recreio. Além disso, a vida verdadeira era o intervalo.
Os cafés já estão cheios de gente à procura de bebidas quentes. Mas as praças ainda têm pessoas que se sentam ao sol. As crianças já estão na escola. Mas ainda há areia das férias no carro.
Crescer é um conceito abstrato. Amigos dos nossos pais dizem-nos o quão depressa crescemos e nós desconfiamos, ou achamos aborrecida a conversa.
Sinto necessidade de ser guiada pelo cientista para fora das minhas dúvidas. Preciso que alguém me aponte a alegria como um pai aponta os ninhos das cegonhas nos postes de electricidade.
Fui pegada ao colo e embalada dentro de água. Tão simples, tão forte. Como se já tivesse estado ali. Senti que estava a nascer, senti que estava a morrer.
Podia acabar com a minha saúde, mas jamais com a ordem natural do mundo. Mexer com conceitos que se têm arrumados é o que mais inquieta o ser humano. Tratava-se da batalha do absurdo contra a lógica.
Não me agrada a ideia de crescer e deixar de fazer amigos. Acho triste. E claro que a finitude da vida pode tornar complicada a matemática das amizades, mas deveríamos batalhar sempre pelo seu lugar.
Para ver pombos e comer cornettos de morango poderíamos ter ido até ao Rossio, e eu escusava de sentir tanta pena dos bichos.
Começa-se a envelhecer quando se começa a dar conta. É o princípio. A gordura torna-se mais teimosa, junto às ancas. Repara-se no que antes não se reparava.
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