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Investigadora, doutorada em Filosofia política e Ética
Usualmente, os homens acusados de agressão sexual apontam o dedo ao decote, à minissaia, ao álcool, aos mal-entendidos. Boaventura Sousa Santos prefere culpar o neoliberalismo.
Pensou nas vezes que teve de contar a sua história, nas vezes que acompanhou e ouviu a mãe a contar a sua história. A pobreza costuma confessar-se à porta fechada. Porquê, então, este espetáculo?
Afinal, o que há nesta retórica que me provoca uma repulsa quase epidérmica?
Os exemplos são inúmeros de (ir)responsáveis da direita, seja nos EUA, em França ou em Portugal, que assumiram sem complexos a agenda e o vocabulário da extrema-direita.
É este o plano da techno-”bro”-oligarquia reacionária à volta de Trump: desmantelar a democracia que atrapalha os negócios, voltar à lei do mais forte. Nos Estados Unidos e no resto do mundo.
A verdade são eles que a fabricam. E, aliás, quem precisa de verdade? Tendo a pós-verdade garantida, investem agora na construção da pós-legalidade.
Tenho saudades do tempo em que os líderes da extrema-direita diziam, sem pudor, ao que vinham. E se chamava os bois pelos nomes, sem eufemismos como “direita radical”, “alternativa” ou “populista”
Em vez de liderar, promovendo a coesão e a diversidade nacional, Luís Montenegro optou por reforçar a narrativa mentirosa racista e xenófoba da extrema-direita.
Em Portugal, grupos como o Habeas Corpus já vão na publicação da quinta lista de pessoas a que chamam “terroristas LGBTIQ+”, numa acção de incitação ao ódio.
Desde a Primeira República, que todos os presidentes se assemelham: são todos homens. Proponho que se reflita, no mínimo, sobre a possibilidade de uma rotatividade de género.
A linguagem inclusiva não desafia apenas a língua; desafia normas, relações de poder e uma visão de mundo.
A ausência de uma posição clara de condenação face à morte de Odair Moniz às mãos do Estado não contribui para a unidade do país, mas sim para o seu enfraquecimento.
Quando não se é nem antifascista, nem fascista, nem racista, nem antirracista, nem comunista, nem anticomunista, o que se é afinal?
Enquanto a resposta definitiva não chega (se é que chegará), podemo-nos agarrar aos princípios e compromissos que estabelecemos com a nossa consciência.
Não são monstros, são “monsieur tout le monde”. Os monstros não existem, os violadores sim! É o marido, o namorado, o irmão, o tio, o avô, o vizinho, o amigo, o colega de trabalho, o patrão.
Não existe muro a tapar o que se passa na Palestina, Mediterrâneo, Sudão, Congo ou Iémen. Quem não vê é porque escolheu não ver, e esse desinteresse é um muro erguido pela sua própria desumanização.
As pessoas LGBT+ sempre existiram em todo o lado. Não as ver ou não conhecer significa que as condições não estão reunidas para que as pessoas LGBT+ se sintam seguras para viver as suas sexualidades.
Pessoas que se dizem feministas apoiam teorias que essencializam a mulher ao papel de parideira, reduzindo-a aos seus órgãos reprodutores.
A luta pelo fim das discriminações também deve passar pela idade. Podemos fazer melhor.
A luta contra a extrema-direita não pode continuar a passar pela negação da importância do fator racismo e outro tipo de supremacismos e discriminações.
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