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Arqueólogo
O dever dos profissionais de museus é conservar as colecções, razão de ser das “suas” instituições. Podem alguns, com base na ética, defender outra coisa, mas cabe à sociedade a última palavra.
Depois de se ter degradado a liberdade de programação dos museus nos países dominados por governos populistas de direita, o mal alarga-se a quase todo o continente europeu.
Lagos mantém e vive ainda muito toda a mitologia dos Descobrimentos, herdada do Estado Novo. As mais recentes iniciativas em torno do seu Mercado de Escravos abriram uma caixa de Pandora.
No final do dia, o que permanece e, a longo prazo, aquilo que garante a relevância de cada museu particular, e dos museus em geral, são as suas colecções.
Saímos da Expo-2025 de alma cheia, o que foi especialmente grato porque entrámos de pé em riste.
O combate ao populismo reaccionário tem de ser feito a partir da realidade e não contra ela. No caso dos museus, tal significa defender a manutenção e reforço das suas funções de guardiões de memórias
As coisas correram neste ínterim eleitoral melhor do que muitos antecipávamos. Os mais cínicos dirão que não houve tempo para desfazer; o certo é que as verdadeiras borrascas não chegaram a vir.
Tratar todos por igual ou, pior ainda, reduzir a etiqueta de “museu nacional” a uma mera questão administrativa constitui o grau zero da racionalidade.
A (re)abertura recente de vários núcleos museológicos de propriedade variada, todos para além da tutela nacional, deveria ser motivo de júbilo. Infelizmente não é o caso.
A questão do saque e tráfico de antiguidades para colecções privadas e para museus consiste no verdadeiro “elefante na sala” quando se fala de peças “de origem contestada” ou “duvidosa”.
Dificilmente a ministra da Cultura terá com ela quem dê para esse peditório de considerar que uma EPE não possui condições de exercer funções do Estado.
Vejo nos arroubos discursivos do momento uma mistura explosiva de falta de conhecimento, desinformação e bastante deselegância. A realidade não é aquela que a ministra da Cultura julga existir.
Intencional ou inadvertidamente, alguns activistas e académicos querem-nos fazer iludir o cerne da questão colonial contemporânea, ou seja, a de que vivemos um tempo neocolonial e não “pós-colonial”.
O princípio geral deveria ser sempre o de procurar a melhor maneira de promover a frequência de cada museu por todos os seus potenciais utilizadores.
A autorização de exportação para venda da Descida da Cruz de Domingos Sequeira tem de ser esclarecida pelo actual presidente do instituto público do Património Cultural, João Carlos dos Santos.
Dir-se-á que podemos encarar 2024 com optimismo em matéria de tutela do património cultural? De modo nenhum. Mantenho, é certo, o espírito positivo.
Tudo se resume naquilo que Torga já observara, ao dizer que “o universal é o local sem paredes”. Localismo e centralismo são precisamente as paredes que nos impedem de ver o quadro todo.
É totalmente inaceitável que um presidente de Câmara pense que pode retirar estátuas do espaço público sem ouvir ninguém, nomeadamente comissão municipal de arte pública ou património cultural.
A averiguação feita pelo Washington Post sobre uma pequena parte da colecção de mais de 30 mil restos humanos da Smithsonian recoloca este assunto na agenda.
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