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Historiador
O deslumbramento tecnológico faz-nos esquecer que nenhuma tecnologia prosperou pelos seus próprios avanços e inovações, mas sim pelo seu uso social.
A “má educação” é uma expressão que perde toda a ambiguidade quando é retratada na actividade de encher os comentários e as redes sociais de ignorância e insultos, sob a manta cobarde do anonimato.
Estando isto como está, pergunto ao meu recolhido passarinho que acha que isto é muito pessimista, como é que a eleição de que não se pode falar podia ser diferente?
Para quem trabalha sobre a história da ditadura e consulta muitos documentos originais, esta é uma realidade bastante generalizada e penosa para quem a confronta.
O que acontece hoje aos imigrantes aconteceu connosco há bem pouco tempo. Mas com vantagem dos portugueses, por serem brancos e católicos, e não “monhés” e muçulmanos.
Um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.
Sabemos coisas sobre a vida dos portugueses comuns que não estão em nenhum lado, nem na literatura neo-realista, nem nos estudos etnográficos ou antropológicos.
Não me venham dizer que eu desejo o “cancelamento” do livro ou coisa parecida. Pelo contrário sou muito favorável a que surjam estas publicações para nós sabermos melhor o que são e para onde vão.
A nossa história tem muitos pontos negros que, aliás, partilha com a história universal, umas vezes pior e outras melhor.
A “história” falsa do 25 de Novembro assenta em manipulação e no apagar daqueles que justificariam comemorar o verdadeiro 25 de Novembro.
Sem dúvida que o 25 de Novembro é um passo fundamental do caminho aberto pelo 25 de Abril. No dia 25 com a vitória militar contra o esquerdismo; e no dia 26 pela recusa da ilegalização do PCP.
A primeira coisa que este “tutor” artificial vai fazer é minimizar o papel do professor.
Para a direita radical populista, os mais fracos só são fracos porque não trabalham ou porque se entregam ao “parasitismo social” e à “subsidiodependência”.
Esta não é uma questão de elites contra o “povo”, mas sim um confronto entre quem respeita a sua língua e quem a despreza, entre quem despreza o saber e quem sabe o que lhe falta saber.
Todos os fundadores consideravam uma questão de fronteira, uma “linha vermelha”, o PPD não ser um partido de direita, mas um partido de centro-esquerda, como Sá Carneiro sempre repetiu.
A ideia de que o PS tem perdido por causa de uma sua putativa radicalização e esquerdização entrou no lugar-comum, mas está longe de ser verdadeira.
Trump nunca fez nada pela paz, fez tudo pelo Prémio Nobel, o que não é de todo a mesma coisa.
Hoje há muito poucos conservadores e muita gente da direita radical e da extrema-direita.
O exemplo de Isaltino mostra como é possível confrontar com sucesso esse mundo de mentira, violência, e aquilo a que se chama na ópera braggadocio.
A sua visão saudosista do império feito mito, que exclui, não os ajuda sequer a perceber que nos empobrecem, nos tornam menores, mesquinhos e violentos.
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