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Historiador
Ambos os sectores woke e anti-woke têm muitas parecenças entre si, não apenas nos temas, mas também no modo de operar. Ambos conduziram uma prática de proibição, de cancelamento.
Há muito que se pode aprender no mundo das bibliotecas pessoais e sem ele tudo fica mais pobre, mas nos nossos tempos isso é a regra.
Esta é a influência destes “influenciadores”. O ostracismo que queria para eles é ficarem a falar sozinhos, mas isso nunca acontecerá — não somos os atenienses do século V.
Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.
Este tipo de deslumbramento ideológico não é novo, já várias vezes na história se manifestou, sempre com maus resultados, para o bem viver, a liberdade e a democracia.
É isto que queremos da nossa diplomacia? Dar caução às “Nações Unidas de Trump”?
O absurdo político desta exposição é que o único partido incomodado com o que lá estava, na sua completa evidência documental, foi o actual PSD.
O deslumbramento tecnológico faz-nos esquecer que nenhuma tecnologia prosperou pelos seus próprios avanços e inovações, mas sim pelo seu uso social.
A “má educação” é uma expressão que perde toda a ambiguidade quando é retratada na actividade de encher os comentários e as redes sociais de ignorância e insultos, sob a manta cobarde do anonimato.
Estando isto como está, pergunto ao meu recolhido passarinho que acha que isto é muito pessimista, como é que a eleição de que não se pode falar podia ser diferente?
Para quem trabalha sobre a história da ditadura e consulta muitos documentos originais, esta é uma realidade bastante generalizada e penosa para quem a confronta.
O que acontece hoje aos imigrantes aconteceu connosco há bem pouco tempo. Mas com vantagem dos portugueses, por serem brancos e católicos, e não “monhés” e muçulmanos.
Um dos traços mais presentes no nosso povo, de cima a baixo, dos pobres e dos ricos, é a prevalência de comportamentos conformes ao lugar social de cada um.
Sabemos coisas sobre a vida dos portugueses comuns que não estão em nenhum lado, nem na literatura neo-realista, nem nos estudos etnográficos ou antropológicos.
Não me venham dizer que eu desejo o “cancelamento” do livro ou coisa parecida. Pelo contrário sou muito favorável a que surjam estas publicações para nós sabermos melhor o que são e para onde vão.
A nossa história tem muitos pontos negros que, aliás, partilha com a história universal, umas vezes pior e outras melhor.
A “história” falsa do 25 de Novembro assenta em manipulação e no apagar daqueles que justificariam comemorar o verdadeiro 25 de Novembro.
Sem dúvida que o 25 de Novembro é um passo fundamental do caminho aberto pelo 25 de Abril. No dia 25 com a vitória militar contra o esquerdismo; e no dia 26 pela recusa da ilegalização do PCP.
A primeira coisa que este “tutor” artificial vai fazer é minimizar o papel do professor.
Para a direita radical populista, os mais fracos só são fracos porque não trabalham ou porque se entregam ao “parasitismo social” e à “subsidiodependência”.
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