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Realizadora
Destruir é mais fácil do que cuidar. E matar à distância — com drones, com mísseis, com ecrãs que transformam corpos em coordenadas — é mais fácil do que olhar alguém nos olhos e dizer: preciso de ti.
O teatro nasce como tecnologia política inventada pela democracia para se interrogar a si própria. Pedir ao teatro que se reja por uma política conservadora é como pedir à sátira que seja respeitosa.
Durante séculos, o masculino não foi um género — foi a humanidade inteira. As mulheres é que tinham género, da mesma forma que os brancos não tinham raça e os heterossexuais não tinham orientação.
De entre todas as formas de violência militar, o bombardeamento é a mais popular — e a mais cobarde. É a ferocidade exercida à distância, e uma distância que não é apenas geográfica, é moral.
Sair do Spotify é fácil de explicar num jantar. Dá uma frase curta, uma pequena certeza portátil. Mas a facilidade com que se explica deveria ser o primeiro sinal de alerta.
Olhando para a Atenas de Platão, esta mostra-se problemática. É que o filósofo considerava a poetisa Sapho, de Lesbos, a “décima musa”, tal a beleza ardente da sua “poesia do desejo” pelas mulheres.
Quando a vida política se converte em taticismo e gestão de imagem, os políticos perdem acesso às próprias emoções.
Galileu arriscava a vida ao defender a verdade. Os negacionistas climáticos arriscam vidas alheias ao defender a mentira — e fazem-no com pleno conhecimento dos factos.
Minneapolis organiza-se e mostra o caminho da resistência. Os manifestantes, que saem à rua apesar da neve e das temperaturas negativas, dizem não estar a protestar mas sim a proteger a Constituição.
Num momento difícil da democracia, em reação aos resultados de domingo passado, a direita que nos governa teve nova oportunidade de se distinguir do seu extremo — e voltou a descartá-la.
Foi a extrema vulnerabilidade que tornou o Bangladesh pioneiro em estratégias de adaptação climática. Conhecimento de que o mundo inteiro precisará muito em breve.
Ao calar-se por descrença de que outros falarão, cada pessoa destrói a única coisa que lhe poderia dar força — o espaço comum onde as vozes se somam.
Aos olhos do mundo, CR7 serve de meio normalizador de uma monarquia absoluta. Fazer dele exemplo sem ter em conta o contexto — despolitizá-lo — é uma possibilidade. Mas talvez não para um… político.
E quando a câmara enquadra um rosto cansado, os neurónios-espelho disparam antes de a ideologia intervir. Vemos “ser humano vulnerável” neurologicamente antes de processar “invasor” ideologicamente.
Para Epicuro, a filosofia é pharmakon (remédio): serve para curar a alma dos seus medos infundados. E o maior desses medos é o da morte.
O fascismo não venceu apenas porque espancava socialistas, mas porque construiu identidade nacional num momento de humilhação, ordem no caos, pertença através de rituais e espetáculo.
Precisamos de escravos humanos reais — só que agora chamamos-lhes “ilegais”, “irregulares”, enquanto pretendemos que são eles os invasores.
As lições da campanha de Zohran Mamdani para a câmara de Nova Iorque são universais: da esquerda à direita, os materiais gráficos podiam e deviam deixar de ser elementos poluidores do espaço público.
Desejavelmente, um bom mestre é um construtor paciente de andaimes mentais que depois se podem retirar porque a estrutura já aguenta.
A preservação da distância em relação aos povos que vivem isolados mede a nossa capacidade de auto-regulação. Deixá-los existir sem contacto é impor limites à nossa própria expansão.
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