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Advogado
O tribunal francês deu resposta a um certo ambiente popular que assume que a política é um mundo generalizadamente corrompido pelos abusos que os políticos fazem das suas situações de privilégio.
Não será de admirar que, nas legislativas, muita gente tenha um raciocínio semelhante ao dos madeirenses nas regionais: PS e o Chega podiam evitar as crises e optaram por fazer cair os governos.
O alinhamento americano com os interesses estratégicos e com os valores políticos das grandes potências autoritárias mudou de repente todo o panorama.
A sorte de praticamente todos os políticos com mais poder do PSD e do PS depende de serem escolhidos para os lugares de topo pelo líder, mas é imune ao sucesso ou fracasso que este venha a ter.
A esperança de Pedro Nuno era a de que a comissão de inquérito permitisse um desgaste ainda maior da AD até ao momento em que lhe fosse eventualmente um pouco mais seguro avançar para as urnas.
Mais tarde ou mais cedo os apoiantes de Gouveia e Melo – os “almirantistas” – ganharão uma certa organicidade, porque formarão um movimento com as características de um partido.
O que o define não é a luta contra o “sistema”; é a ansiedade em pertencer ao “sistema”. Ventura quer ser aceite no clube, mas é só o tipo que fica à porta.
Quanto mais tempo de indecisão passa, mais cresce a hostilidade interna à hipotética candidatura de António José Seguro – e, portanto, mais força ganha essa candidatura.
Apesar da mitologia inspiradora, a arte está longe de ser a forma mais eficaz de luta política. Pode até ser uma forma particularmente displicente.
Com a entrevista, passou a haver condições para PSD e PS discutirem as políticas e as regras de convivência saudável necessárias a que Portugal permaneça (ou seja ainda mais) um país aberto.
Casos como o do Chega e Bloco são boas notícias. Não é só pela incontrolável schadenfreude. É também por criarem a esperança de deixarem a política ficar mais moderada e racional.
As sondagens mostram a “vibe shift” em curso. A maioria parece concordar com a actuação da polícia, e não acha que ela é racista. A AD parece estar a aumentar a vantagem para o PS.
O PS comete o mesmo erro da direita catastrofista, que é o de ignorar – ou querer ignorar – a realidade.
Um discurso que podia servir de contraponto democrático e decente ao discurso de ódio é visto, ele mesmo, como uma forma de discurso de ódio.
Contados os votos e feitos os estudos pós-eleitorais, quem de facto decidiu a eleição, em favor de Donald Trump, foram os homens. Porquê?
Quando o poder é exercido ao centro, mas o centro é representado por uma só força política, o pólo alternativo transfere-se para fora do campo da moderação. Foi o que ocorreu em França.
Talvez aquilo de que o sistema está a precisar seja um novo protagonista anti-sistema, que de alguma forma combata André Ventura e o Chega pelo flanco não extremista.
O voto em Donald Trump vem de um impulso puramente reaccionário ou há ali também uma ânsia de ruptura em direcção a uma qualquer forma de progresso?
Há um certo conservadorismo político sobre a dignidade e a eficácia das instituições que não tem necessariamente de ser (nem convém que seja) propriedade apenas da direita.
Entregou tudo à direita, que é hoje proprietária das duas grandes categorias políticas aspiracionais: a liberdade individual e a luta de classes.
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