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Sociólogo, professor jubilado da FEUC, pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Como sabemos, a democracia é o único regime que permite ser usado para a sua própria destruição.
As débeis medidas de contenção adotadas por algumas faculdades face à praxe revelam-se até agora impotentes, se não mesmo inócuas.
Reconhecer o papel dos animais na sociedade e respeitar os seus direitos é respeitar e aprofundar a defesa dos direitos humanos extensíveis à natureza e ao ambiente.
Assiste-se a um enfraquecimento, que parece irreversível, das estruturas intermédias da sociedade, ao mesmo tempo que os velhos valores iluministas e republicanos entraram em implosão.
Quando o Chega e o seu líder gritam contra “50 anos de corrupção” estão a branquear um regime em que a maior corrupção começava nas cúpulas; com a diferença de que, então, não era permitido criticar.
Estão em marcha poderosos mecanismos psicossociais que reformatam mentalidades de cada vez mais cidadãos, tornando-os seguidores incondicionais de líderes autoritários e potenciais súbitos de tiranos.
Sendo uma mulher a motivar a queixa, assumindo-se como vítima, a perspetiva feminista (do campo da esquerda, em geral) aceita e subscreve como verdade intocável esse argumento ou essa “denúncia”.
Este clima parece abrir caminho para uma nova “caça às bruxas” em que ciganos, imigrantes, negros, árabes, etc., e qualquer dia “comunistas” e “socialistas”, podem ser apontados como alvos a abater.
O problema das lutas identitárias não é novo. O que é novo é que, hoje, o identitarismo, apesar de se desdobrar em versões muito díspares, vem mostrando a sua face mais violenta e dogmática.
A instabilidade e a busca da mobilidade – um emprego melhor, um diploma mais avançado, um carro mais sofisticado – já não são objetivos viáveis, mas um modo de vida transitório, ilusório e fugaz.
A função que os cachorros cumprem no espaço público é a de agregadores, no sentido em que contribuem para conter ou fazer regredir uma tendência que a modernidade vem acentuando: o deslaçamento.
Numa sociedade onde o paroquialismo e o patriarcado estão profundamente enraizados, é tão importante denunciar os abusos de poder – e de assédio moral ou sexual – como a veneração dos poderosos.
O sentimento anti-Putin nada tem que ver com anticomunismo. Trump e Bolsonaro foram íntimos de Putin. Só por má vontade se pode confundir antiputinismo com “ódio antirrusso”.
Se a visão crítica é necessária, o vernáculo “ocidentalofóbico” torna-se doentio, em particular no que toca à questão ucraniana.
Os mais de 40 milhões de brasileiros que saíram da miséria graças aos governos lulistas acentuaram o ressentimento antipopular desses setores privilegiados. E mesmo as concessões e arranjos de L.S. com os grandes interesses económicos não apaziguaram o rancor anti-PT da elite.
Muito mais do que “companhia”, os nossos cachorros são ímanes que atraem sentimentos e fluxos de positividade, num mundo marcado pelo stress, ajudando a soltar a espontaneidade e sentido de partilha das pessoas.
Há coincidências e episódios aparentemente irrelevantes, mas que, vistos à luz da ligação histórica e cultural tão longínqua e indelével – como a que subjaz ao vínculo pós-colonial entre países europeus e o Sul latino-americano – podem adquirir um significado mais profundo
O que mais nos choca é a frieza e insensibilidade por detrás dos apelos ao “pensamento crítico” ou a uma “paz-rendição”, face à violência atroz dos massacres por parte da potência invasora.
“O primeiro passo para mover o mundo é movermo-nos a nós próprios” é uma máxima atribuída a Platão.
Sendo membro da instituição liderada por Boaventura de Sousa Santos (o Centro de Estudos Sociais), é por dever de consciência que assumo uma posição contrária à sua no que se refere a esta guerra.
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