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Sociólogo
Governar em tempos de crise exige muito trabalho, diálogo, autoridade e democracia. Não exige, não pede, é até incompatível com propaganda. O superficial e o fútil não tratam. Agravam.
A superioridade da democracia é total. Nem três Salazares conseguiriam esconder a verdade, nem três Venturas seriam capazes de inventar factos.
De Saramago aos museus do 25 de Abril e dos Descobrimentos, os portugueses, ou antes, as autoridades não saem bem desta história.
É possível definir as metas de um governo de união para os anos que faltam para completar a legislatura.
A Constituição é feia e grande. Foi feita por gente decidida a organizar a vida dos outros em vez de deixar viver. Mas foi um milagre. Salvou a democracia. Conservou o melhor da revolução.
Os três, PSD, Chega e PS, precisam de se olhar melhor ao espelho. Eles não sabem, não se dão conta do mal que estão a fazer ao país e à liberdade.
Há ricos e pobres. Brancos e negros. Cristãos e muçulmanos. Judeus e gentios. Um sem-fim de diferenças e divisões. Mas há uma divisão que se sobrepõe a todas: entre democratas e não-democratas.
Considerar a bondade e a utilidade de um governo minoritário, hoje, em Portugal, é incompreensível.
Vai haver crise política? Talvez. Quando? Não se sabe, mas brevemente. Porquê? Esta é a questão
Salvo melhor informação, ou salvo prova em contrário, o Governo português foi ultrapassado e esquecido, ou antes, ignorado.
Deveria deixar-se aos pais o essencial da educação, que sejam eles a determinar o que é bom e o que é mau para os seus filhos.
Chamem-lhe o que se quiser. Central, com ou sem bloco. Coligação ou aliança. O nome é trivial. O que interessa é o Governo de duração garantida, de maioria inequívoca e de programa moderado.
O Governo vai tentar recuperar a iniciativa, mas saiu tão amachucado dos vendavais e das eleições que é pouco provável que recupere o bom nome.
Quem tinha a missão de ordenar, inspirar, organizar e liderar não o fez, não soube fazer, não percebeu a tempo e não se sentiu empenhado. Para, tardiamente, tentar fazer propaganda.
Com Seguro, a mudança do sistema político ou regime será gradual, com direitos fundamentais e em democracia. Com Ventura, seria na instabilidade, talvez sem direitos e com pouca democracia
O gesto de Luís Montenegro, presidente do PSD, foi errado e inaceitável. É sinal e retrato de uma triste covardia de quem não corre riscos. Resulta de um raciocínio calculista e medíocre.
Luís Montenegro, o seu Governo e o seu partido são os maiores derrotados destas eleições. Creio que nunca se viu nada de parecido.
O nosso voto pode eleger delinquentes e antidemocratas, belicistas e totalitários. Podemo-nos enganar. Mas nunca deixaremos de pensar que é o voto a melhor arma para corrigir os nossos próprios erros.
Em certo sentido, esta campanha eleitoral parece ter sido feita do outro lado de lá do espelho, em terras de Alice. Ou num mundo “distópico”, para não dizer de fantasia pessimista.
Por que motivos um Parlamento e meia dúzia de partidos aceitam faltar aos seus deveres, não cumprir as suas funções e, diante das exigências da democracia, assobiar para o lado?
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