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Filósofo, professor da Universidade da Beira Interior
O viajante regressa para lá do seu interesse, trazendo consigo lugares que lhe entraram no corpo, quase uma pele nova.
Há um truque que qualquer míope aprende em criança. Se semicerrar os olhos verá o longe com um pouco mais de nitidez, não o longe inteiro, mas algum detalhe. Chama-se efeito estenopeico.
De uma certa perspetiva, comer é a ação menos identitária que podemos realizar.
A chuva faz um contínuo miudinho entre o céu e a terra, o dentro e o fora, o passado e a sua memória.
Godelieve Meersschaert, co-fundadora da associação Moinho da Juventude, no bairro da Cova da Moura (Amadora), pratica um bendito modo de refugiar há quase meio século.
Do chão à mão que o abre, o pão tem o sabor da condição humana.
O mundo deixou de ter sono e nós arrastamo-nos entre a insónia, a dopamina dos ecrãs e os soporíferos.
Vive-se hoje demasiado de costas viradas, a tentar passar uns diante dos outros como se não tivéssemos costas.
Urge levantar os olhos dos ecrãs, sair para a rua, falar de viva voz, não recear tocar e ser tocado, não ter vergonha de sentir vergonha.
O mercado é um lugar milenar de troca, curiosidade e contaminação, conhecimento do estranho e de desejo.
Quando se fala de véus, chapéus e óculos escuros que enlevam um rosto o que se pode estar a garantir é a liberdade de atravessar e estar no espaço público reservadamente.
A marquise foi o fenómeno dos apartamentos dos anos 80. E as rotundas foram as marquises das ruas nos anos 90.
Diante de um planeta danificado e ferido, a aceitação incondicional deveria significar um acolhimento radical do mundo e dos seus problemas, ficar com os “nãos”.
Duas obras da bióloga Lynn Margulis (1938-2011), Planeta Simbiótico: Um novo olhar sobre a evolução e Gaia e Filosofia, fazem reverberar a biologia na reflexão filosófica.
Brincar é envolvermo-nos de corpo inteiro com as coisas do mundo, experimentar-lhes as possibilidades e torná-las expressão.
Enquanto o migrante enfrenta o desespero com uma esperança absoluta, nós apenas fazemos frente ao seu desespero sem estar à altura do nosso.
Tudo à mão, o perto e o distante, nada realmente longe. Um mundo global sem longe encerra-nos numa sociedade sem empatia.
“A cadeia tem de ser sentida”, dizia um representante sindical do sistema prisional português. Mas o que se quer fazer sentir?
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