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Filósofo, professor da Universidade da Beira Interior
Do chão à mão que o abre, o pão tem o sabor da condição humana.
O mundo deixou de ter sono e nós arrastamo-nos entre a insónia, a dopamina dos ecrãs e os soporíferos.
Vive-se hoje demasiado de costas viradas, a tentar passar uns diante dos outros como se não tivéssemos costas.
Urge levantar os olhos dos ecrãs, sair para a rua, falar de viva voz, não recear tocar e ser tocado, não ter vergonha de sentir vergonha.
O mercado é um lugar milenar de troca, curiosidade e contaminação, conhecimento do estranho e de desejo.
Quando se fala de véus, chapéus e óculos escuros que enlevam um rosto o que se pode estar a garantir é a liberdade de atravessar e estar no espaço público reservadamente.
A marquise foi o fenómeno dos apartamentos dos anos 80. E as rotundas foram as marquises das ruas nos anos 90.
Diante de um planeta danificado e ferido, a aceitação incondicional deveria significar um acolhimento radical do mundo e dos seus problemas, ficar com os “nãos”.
Duas obras da bióloga Lynn Margulis (1938-2011), Planeta Simbiótico: Um novo olhar sobre a evolução e Gaia e Filosofia, fazem reverberar a biologia na reflexão filosófica.
Brincar é envolvermo-nos de corpo inteiro com as coisas do mundo, experimentar-lhes as possibilidades e torná-las expressão.
Enquanto o migrante enfrenta o desespero com uma esperança absoluta, nós apenas fazemos frente ao seu desespero sem estar à altura do nosso.
Tudo à mão, o perto e o distante, nada realmente longe. Um mundo global sem longe encerra-nos numa sociedade sem empatia.
“A cadeia tem de ser sentida”, dizia um representante sindical do sistema prisional português. Mas o que se quer fazer sentir?
Perdemos o hábito da paciência: as esperas tornam-se tremendamente insuportáveis, as vivências comprimem-se na impaciência perante o nada.
Somos bichos uns para os outros quando mimamos o resto selvagem que transborda qualquer domesticação.
Que imaginação de bem comum se pode esperar de tanta fragmentação, das vidas e dos convívios, dos lugares, até do tempo de que precisamos para os habitar?
O que se toma por tempo morto é, verdadeiramente, tempo vivo, que nos preenche. Como um tempo que faz raízes.
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