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Actriz, encenadora e dramaturga
Na Malásia, Indonésia, Brasil, as “nuvens” não são fofinhas e redondinhas. São prédios de betão cheio de silício quente, metal e ventiladores barulhentos.
Fascinante pensei. Eles afinal são normais. Não há normalidade nenhuma que seja normal. Já que acredito que a normalidade é uma falácia, uma dessas histórias inventadas.
Ela tinha sido modista na Roménia, e em Portugal tinha continuado a ser modista até que o cansaço a tinha feito trocar os pedais da Singer pelos do Opel que conduzia.
“Por Tutatis!”, clamei, não me atrevendo a apelar às outras divindades, que imagino que nestes dias estarão tão atulhadas, atarefadas e próximas de um burnout quanto os profissionais do SNS.
O que é que foi feito desde o verão, em que arderam cerca de 270 mil hectares do nosso país, o que é que está a ser feito para prevenir esta desflorestação maciça?
Eu acho que só o facto de dizermos “Ya, man” e “bué” enquanto bebemos um chá num bar às 22h já é indicativo da nossa “cotice”.
As memórias têm muito espaço no meu discurso, não por ser saudosista mas por de alguma forma servirem de pontuação a uma narrativa que de outra forma me parece confusa, emaranhada, incalculável.
Uma pausa não dita o fim da cena, pelo contrário, depois da pausa, a cena continua, a vida continua. É só uma paragem para que as palavras e os gestos possam respirar…
Percebi cedo que o corpo onde eu morava, sem outra geografia possível, era um habitat simultaneamente imprevisível, gratificante, acolhedor, perturbador.
O Carlinhos era uma espécie de Chat GPT. Um chato GPT. E ninguém queria uma fonte de conhecimento atualizada em discurso direto, no momento de dar um beijo com língua no bate-pé.
No subsolo dos nossos afetos mais primitivos, atiçam-se medos, aceleram-se explicações, fabricam-se inimigos, inventam-se monstros. Levantam-se fronteiras entre nós e eles.
A minha amiga divide o apartamento com mais duas colegas… Portanto são três. Três mulheres que ficarão fora da casa, como na história dos três porquinhos.
A figura da Jane Goodall era um puzzle incompleto que a minha imaginação tinha de preencher. Admirava-a. Achava-a uma espécie de Nerd à paisana.
Chamavam-lhe Capuchinho Vermelho quando lhe ensinaram que devia fazer gestos menos efusivos para não atiçar os animais, para não os assustar, que os animais assustados atacam Capuchinhos...
Não estará a política mais emaranhada nas decisões diárias que tomamos, do que aquilo que gostamos de assumir? Por muito que nos queiramos alienar, não há como não falar de política...
O ócio, onde se olha cuidadosamente para os detalhes que espreitam de um longo esconderijo debaixo dos ossos. Um osso duro de roer esse que escondemos dentro das ideias que vão calcificando.
Lançam-se ovações ao Antigamente. Ao tempo dos pais, ao tempo dos avós, mais uma mini e estamos nas Primeiras Cruzadas… Ou no Jardim do Éden…
Ana é pequeno, como o meu pequeno corpo. Escolhido à nascença como um prenúncio que havia de antever a criança minúscula que sempre fui, que na escola era sempre a mais pequena.
Por vezes ficarão a faltar peças, perdidas debaixo de um canto qualquer, que levarão algum tempo a encontrar, ou nunca serão repostas.
Viajo ao Passado. Aos êxodos que nos constituem, à diáspora dos nossos pais e avós pelo Mundo. Penso que todos temos o direito de procurar construir o nosso sonho, de sonhar uma casa. Um Futuro.
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