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A hegemonia cultural da esquerda é uma coisa do passado.
Por mais que António Lobo Antunes tenha reivindicado a condição de grande escritor, certamente que acharia inconveniente ser elevado a Grande Escritor em estado superlativo.
O campo é agora um cenário de experimentações genéticas e agrícolas, com “parques” de ruralidade conservada ou produzida para vender a urbanos nostálgicos.
Numa alta instituição universitária, a nossa língua já está perdida e foi substituída por uma outra que adivinhamos facilmente qual é: o basic English.
A experiência do prazer é política, tal como a dimensão dos afectos, apesar de completamente omitida no discurso político contemporâneo.
As zonas designadas por “interior”, quando não são completamente desertas, transformam-se em coisa junk.
Quem acha que não é legítimo identificar certas manifestações actuais com o fascismo não entende a regressão senão de uma maneira ingénua.
Antigénero, antifeminismo, anti-imigrante, antidemocracia e outros anti. O ressentimento fornece a energia vital para a proliferação dos novos fenómenos de cariz autoritário.
O romance tornou-se um género parasitário que absorve quase por completo toda a literatura. Ele é o cancro da literatura.
As actuais condições de possibilidade da actividade política não conseguem gerar senão os políticos e a matéria política com que estamos confrontados.
A expansão das inteligências artificiais e a proliferação dos regimes hiperautoritários são dois fenómenos que se alimentam reciprocamente.
São as massas desfavorecidas que alimentam movimentos políticos contrários aos seus interesses objectivos.
A direita nem precisa de ser extrema para dizer “Portugal não é o Bangladesh”. A sua percepção não abrange o Bangladesh, a não ser que o Bangladesh emigre para Portugal.
Os imigrantes são considerados factor logístico, como as máquinas, as ferramentas, as infra-estruturas. Estão em todo o lado em que o trabalho físico não pôde ainda ser eliminado. Mas são invisíveis.
O que eu vi não foi um candidato à Presidência da República, mas uma personalidade maníaca, que me fez revisitar alguns textos básicos de Freud.
Os comentadores mostram, mesmo se não têm consciência disso, o estado de exasperação do discurso político. São convocados por um vazio que lhes coube em jeito de missão preencher.
Segundo McKenzie Wark, o poder da nova classe dominante não se baseia na propriedade e no controlo dos meios de produção, mas antes dos vectores da informação
Mais três zeros ou menos três zeros, para nós, observadores, o resultado é o mesmo, nada se altera.
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