Os leitores são a força e a vida dos jornais. Contamos com o seu apoio, assine.
Os leitores são a força e a vida do PÚBLICO. Obrigado pelo seu apoio.
Médica pediatra
Uma mãe disse-me que gostava de ser pediatra para poder conseguir filtrar todo o conhecimento disponível e cuidar melhor do seu filho. Achei graça, pois mesmo quem está no meio não o sabe fazer.
Rituais vazios não servem para nada, e a hostilidade do nosso mundo é um obstáculo a manter acesa a esperança, mesmo nos mais resilientes.
A Ciência vai evoluindo, é certo, mas nunca o progresso vai explicar porque nascemos ou morremos; a nossa capacidade mental é finita, é ilusório achar o contrário.
Tendo em conta o interesse superior das crianças, não posso concordar com os extremismos e fundamentalismos que por vezes se praticam na parentalidade.
Os nossos instantes, pequenos ou grandes — de segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos —, são constantes viagens, no tempo e no espaço, e por fora ou por dentro do que somos, como humanos.
Sempre acompanhada pelos risos dos meninos que acompanho nas consultas, pela conversa dos pais e, ao serão, pela alegria dos meus filhos adolescentes, nunca sinto verdadeiramente solidão.
Aos primeiros sinais de velhice, muitos ficam de pé atrás. A desconfiança de que, também nós, perdemos o fulgor da juventude manifesta-se por ténues indícios.
Hoje apeteceu-me partilhar a experiência, talvez por se avizinhar o Natal, cujo verdadeiro significado se traduz por renovar a nossa humanidade.
A boa vontade humanitária que estamos a sentir coletivamente, despertada por uma guerra da qual temos receio, por se desenrolar na Europa, pode ser distribuída também por outros locais do mundo.
Ela a sentir-se um caos, embora saiba bem que não o seja, que é só mais um final de dia, levemente indigesta quando pensa na vida perfeita dos outros porque a nossa nunca é como se deseja.
Hoje é dia de celebrar o amor entre duas pessoas que o destino fez questão de juntar. E, embora na verdade não saiba bem o que é o amor do “felizes para sempre”, dos contos de fadas, gosto de observar os pequenos gestos à minha volta.
Quanto mais conseguirmos evitar que o vírus cause infecção grave nos nossos meninos, melhor. Não existem cabalas nem conspirações encapotadas. A vacina defende as crianças, o vírus infecta.
Como pediatra tenho aconselhado o melhor que sei. Se tivesse filhos entre os 5 e os 11 anos vacinava-os, assim como vacinei os meus três filhos adolescentes. Mas a decisão é sempre dos pais e cuidadores.
Actualmente, grande parte dos infectados são crianças. Mas, como sempre, os doentes graves, internados ou que morrem são os mais velhos e doentes.
Como mãe, anseio que os meus três filhos adolescentes vivam como antes da pandemia, logo que possível. Como pediatra, anseio pela diminuição das consequências psicológicas a que assisto diariamente nas consultas.
O vírus esfrega as mãos, desmultiplicando-se em novas variantes e aproveitando que milhares de pessoas não serão vacinadas enquanto esta vacina não for reposta em circulação, para infectarem os seres humanos.
As imagens que passam diante dos nossos olhos, na televisão ou nas redes sociais, não são de um país longínquo. São dos nossos hospitais, praticamente em colapso. São de Portugal, um dos países com mais casos e mortalidade por milhão de habitantes
Escolher uma área relacionada com a saúde implica globalmente a vontade de ajudar o outro a lutar contra a doença e a dor, com o menor sofrimento possível
Analogamente ao que se passa em época de eleições, estes 65% de portugueses com dúvidas, são uma espécie de abstencionistas que urge deixarem de o ser. Porque esta abstenção põe em causa a saúde de todos nós.
Ocorreu um erro aqui, ui ui